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Tenho dó de suas amantes

Sinto-me aliviada como alguém que, depois de incontáveis fracassos, finalmente, conseguiu arrancar uma farpa que por muito tempo permaneceu entre a unha e a carne.

Livrei-me de toda a carência que, nos últimos anos, fez-me confundir escassez de amor-próprio com excesso de amor por você. Não entendeu? Serei mais clara, Roberto, sincera como evitava ser devido ao pavor que tinha de me deparar com o esvaziamento súbito e inesperado das suas gavetas: você nunca foi amado, não por mim. Eu é que não me amava; a ponto de aceitar dividir o colchão com alguém que me tratava feito merda e que nunca me fodeu de verdade, no bom sentido da palavra.


Perdoe-me pela demasiada franqueza, mas, agora que já vomitei todo o veneno que me embaralhava a razão, enfim, sinto-me capaz de enxergar o óbvio: da minha parte, o máximo que existiu foi respeito – e olhe lá.
Porque pouco a pouco, grito a grito, soco no volante a soco no volante, “Vai sair assim?” a “Vai sair assim?” e “Não me espere!” a “Não me espere!”, canalha, você minou as forças que eu necessitava para continuar a lhe respeitar.


Por muito tempo, fui mansa, assumo sem qualquer orgulho de mim. De tanto que temia não ter nada além da minha própria companhia, fiz um bocado de vista grossa, joguei provas irrefutáveis das suas traições no lixo como se nem as tivesse notado em seus bolsos. Mas eu as vi, saiba disso. E, graças a elas, espumei um líquido amargo, mais até do que o boldo, a bile e o quinino, juntos. Das suas camisas, controlando-me para não fazer escarcéu ou algo pior – que certamente me colocaria na capa de algum jornal sensacionalista -, arranquei perfumes que obviamente não eram meus; doces para o mundo, insuportáveis para mim. E, depois, com o ferro de passar, ainda evaporava as tantas lágrimas que eu derramava sobre as suas roupas. Lágrimas? Não, não… Eram pedaços cadentes de uma mulher que, mesmo diariamente amassada por você, continuava a aprumar seus colarinhos, sua janta, seus lençóis.


Mas não seja ingênuo a ponto de crer que fui, apenas, a mulher que vivia a lamber a sola dos seus sapatos cafonas. Nos últimos meses, nas vezes em que inventou congressos e reuniões na casa de outras bocetas – acha que não percebi o cheiro delas impregnado em sua pele oleosa? – eu lambi coisas de sabores bem mais marcantes. Lambi cacetes que começaram a pulsar no instante em que foram envolvidos por meus dedos e que, depois de algumas cuspidas, preencheram o meu rabo como o seu pau meia-bomba nunca foi capaz. E não desviei da porra deles, como sempre fiz com a sua. 


Escancarei bem os lábios e, sem que precisassem me pedir, transformei minha garganta em alvo fácil para jorros intermináveis e incrivelmente palatáveis. Bebi o tesão de outros homens, Roberto. Bebi a porra de caras que não resistiram ao meu rebolado e às calcinhas de renda que você nunca viu – e que nunca verá. E, quer saber? Amei o gosto de foda que eles deixaram em minha memória. Amei o dia em que notei a minha boceta inchada. Amei quando me mandaram morder o lençol e, sem qualquer pudor ou nojinho, cravaram a língua em meu cu. Amei, também, a forma como seguraram a minha cintura enquanto me mandavam calar a boca e entravam em mim com vontade. Mas você não sabe como fazer isso, não é mesmo?

Tenho dó das suas amantes, Roberto. Mas a única coisa que me importa, agora, é que parei de sentir pena de mim.



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